sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Vinicius Borba poetiza no programa Põe Azia nisso, TV Web

Num entrevista super descontraída, regada de muita poesia, relendo Gog, Tico, Ferreira Gular e tantos outros Vinicius Borba e Anand Rao trocaram ideia e poesia na 9ªdição do programa Põe Azia Nisso, veiculado pelo Portal Cultura Alternativa. Agitador periférico, Vinicius Borba bateu papo sobre sua construção enquanto poeta e vivente da resistência antifacista no Brasil, falou sobre o momento político e de sua trajetória enquanto artista e pai de família, seus amores e história.

Para Vinicius, sua verve de poeta surge em defesa dos direitos humanos e contra as injustiças sociais, mas segue nesse debate em favor da igualdade de direitos. Questionado sobre suas posições com relação às elites nacionais e a pessoas de outras classes sociais foi enfático ao defender o direitos de todos serem o que quiserem, desde que tenham respeito pelos direitos humanos. Assista ao debate e tire suas próprias conclusões, além e curtir muito da poesia de Vinicius Borba.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Mentira tem perna curta

Por Vinicius Borba
As manifestações do dia 16 de agosto de 2015 tiveram uma ilustração que denuncia a real identidade de grande parte dos odiosos manifestantes travestidos de velhinhas e famílias de propaganda de margarina. A presença das crianças e um suposto clima de ordem não ilustra o real ideário higienista e facista que permeia a construção de extrema-direita destes protestos de natureza explicitamente golpistas.

A Revista Fórum prestou um verdadeiro serviço à Nação ao publicar matéria denunciando algumas das pérolas que demonstram de que é feito o imaginário dessa gente incoerente que supostamente combate a corrupção. ( http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/08/os-dez-cartazes-mais-inacreditaveis-do-1608/ ). Explícitas apologias ao assassinato, à repressão violenta contra a liberdade de ideais no país e opções políticas, além de uma clara demonstração de ignorância de parte das fileiras de torcedores da CBF, digo.., da seleção brasileira, digo.., defensores da pátria contra a corrupção de um único partido.

Estarrecido, li os cartazes que defenderam a volta de Sarney, o magnânimo eterno coronel de cujo coronelato foi defenestrado com seu secto nas últimas eleições, após 50 incansáveis anos de formação da cena que aí está, um verdadeiro arquiteto do "maldito jeitinho" impetrado em nossa política e do modus operandi tão criticado pelos anti-corrupção. Um verdadeiro símbolo.
Inacreditável é a desfaçatez com que alguns, ou muito desinformados ou realmente mal-caráters que permeiam estas mobilizações, construiram a defesa de um dos mais ilustres envolvidos na Operação Lava-Jato, o atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Antigo mutreteiro-mor das praças de poder cariocas, representante do empresariado e das campanhas milionárias compradas em troca de influência no Congresso Nacional, foi defendido com a declaração de insanidade pública: "Não adianta isolar e calar o Cunha: somos milhões de Cunhas. Chega de Negociatas e corrupção. Impeachment Já", sustentava a faixa, que ninguém teve coragem de apresentar, sendo assim amarrada a um portão qualquer. Um estupro à lógica mínima ou à mínima interpretação das milhares de reportagens que ilustram a trajetória e a construção política de um quase biônico representante do pior da política brasileira. Um tipo sem ideologia, eleito com base em uma suposta religiosidade manipuladora das massas de fiéis incautos, como também da compra de mandatos por parte das elites empresariais da nação, para garantia de emendas parlamentares e enormes licitações que depois reproduzem a corrupção.

Poderíamos até inferir que isso seria obra da própria equipe do mesmo, ou do partido de que se origina. Mas a falta de censura por parte dos "combatentes da corrupção" que frequentaram tal ato já demonstra que não há qualquer forma de coerência que justifique crédito à um tipo de "protesto" como estes.

Não satisfeitos, participantes também defenderam, ou pelo menos se omitiram a censurar e combater, a violência como meio de prática política de repressão, com tortura e assassinato, demonstrando a natureza brutal, agressiva e deletéria para a construção de um país democrático que estas manifestações coxinhas trazem ao Brasil. A defesa explícita de cartazes, como o da senhora de cabelos brancos, questionando "porque Dilma não foi enforcada no DOI-CODI" durante a ditadura ilustra a origem do mal.


Desejar o enforcamento de alguém demonstrou o mais sombrio retrato do facismo semi-integralista que toma as ruas, quase aos gritos de Anauê, num ufanismo falso-moralista, que combate um inimigo único violentamente para destruir quaisquer projetos democráticos e populares de poder. Outra senhorinha, em Belo Horizonte, ostenta cartaz questionando porque não mataram "todos" ainda durante o regime civil-militar. "Todos" provavelmente se refere aos militantes progressistas do Brasil, socialistas democráticos, libertários ou comunistas, e de tantas outras denominações que fujam a seus padrões conservadores de politicagem. Ou seriam aos milhares de trabalhadores e trabalhadoras como as que marcharam lembrando Margarida Alves na última semana na Esplanada? Ou estariam decretando a morte dos milhares de usuários de Bolsa Família do Brasil que deixaram a fome? Ou seriam os milhares de jovens pobres que alçaram voos nas faculdades federais brasileiras? Ou seria a morte dos jovens negros assassinados diariamente nas favelas brasileiras pela polícia treinada pela Cia? Isso tudo associado a inúmeros pedidos de retorno da ditadura civil-militar.

Realmente a falta de uma Comissão da Verdade imediata, durante o período de redemocratização demonstra agora seus efeitos mais nefastos, com o esquecimento proposital de toda a corrupção que foi sedimentada no país durante os anos do regime.

Mas o que mais deveria chamar atenção dos trabalhadores e trabalhadoras iludidos, que estejam tomando parte nestes atos, é o cartaz que reafirma, num português mal acentuado, a ideia clássica dos liberais e ricos do mundo de que gerenciam governos e Estados pois são os mais capazes. Como se o objetivo não fosse, de forma patrimonialista, manter seus contratos com o próprio governo que gerenciam. E assim enriquecer mais. Dizia o cartaz do senhor que preferiu esconder o rosto, com alguma razão: "Pais sem corrupção é pais onde rico manda, pois rico não precisa roubar". Uma espécie de cinismo mórbido, meritocrático, não sabemos ao certo se por inocência ou estupidez que toma conta de muitos dos participantes destes atos.

Ora, se tal máxima fosse verdadeira, teríamos governos aristocráticos e burgueses puros, de enorme força e pureza moral dos ricos que por 500 anos geriram o Brasil, até 2002. A história demonstra completamente o contrário, desde o assalto ao Banco do Brasil de Dom João, até a venda inexplicável da Vale para uma multinacional a preço de bananas por parte de FHC. Este barato nos saiu caro demais, não só em termos financeiros, mas de soberania em minérios. Como defender o Brasil defendendo teses que entregam nossas riquezas estratégicas a outros países? A isso chamamos entreguismo, prática recorrente de partidos como o PSDB, de Aécio e Serra, que agora tentam entregar nosso petróleo ao capital internacional, enquanto o Pré-Sal bate recordes.

Se a massa de trabalhadores brasileiros não buscasse sua força e o poder, jamais teríamos visto a inclusão de 7 milhões de universitários no país como hoje vemos, com esperança aos milhares. Mesmo com alguma limitação nas vagas do FIES na última etapa, foram milhares de vagas que se abriram, isso é indiscutível. Caso haja dúvidas dêem um Google. Se ainda restar dúvidas, vão às universidades e centros universitários e chequem quantos são @s bolsistas e cotistas incluíd@s, um@ a um@.

Realidade totalmente contrária que demonstra o quanto, nos cargos de poder, os ricos seguiram reinando somente para os seus, séculos afora, até a chegada do tão criticado Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder pelas mãos de Luis Inácio Lula da Silva. Lula e suas gestões foram, inclusive, muitíssimo criticadas, como até hoje o são, pela conciliação de classes, por aceitar gerenciar democraticamente a composição de ministérios com clássicos políticos de origem da elite brasileira. Processo cada vez mais viciado que agora abala o Governo dos próprios trabalhadores. Dúvida eterna, se seria democraticamente possível governar com sucesso para os mais pobres sem a presença dessa mesma burguesia que criou a máquina e seus vícios pela compra de mandatos com o financiamento empresarial de campanhas, fonte original de corrupção, que segue aturdindo a democracia brasileira.

Se não criticam a fonte do mal, não venham exigir de um único partido que seja o perfeito da novela. Enquanto não houver isonomia de condições de disputa não há que se exigir de ninguém essa pureza. Isso é outra falácia desta desonestidade intelectual que ofende ao Brasil como um todo.

Como lembra o ditado, pior cego é o que não quer ver. Problemas no PT ou em quaisquer partidos no atual sistema político brasileiro e corrupções pelo sistema de financiamento empresarial de campanhas seguiremos debatendo, combatendo e corrigindo, isso é democracia. Mas jamais conseguiremos entender um ufanismo cego que exalta os símbolos da corrupção e da tortura, do princípio facista de pureza dos ricos e dos olhos fechados contra o patrimonialismo dessa mesma classe.

Não podemos aceitar o fogo centrado sobre o único Partido que já realizou alguma distribuição de riquezas e poder por meio das oportunidades no país, beneficiando inclusive a essas mesmas classes altas, sem esquecer porém os que mais precisam e as regiões mais afastadas, regionalizando desenvolvimento. Não aceitaremos esse estratagema pelo preço que pagam todos os demais partidos e a própria democracia, que deve ser valor máximo dessa nação como de todas as nações do mundo. Não uma democracia de enfeite, ao sabor das vontades estadunidenses ou de alguma potência hegemônica de plantão, mas da soberania e da autodeterminação dos povos.

A inversão de valores de que essa gente é capaz os coloca cada vez em maior constrangimento. Fato facilmente constatado pelo esvaziamento dos atos públicos realizados. Mentira tem perna curta.

sábado, 16 de maio de 2015

Sidney Cerqueira, pintor guineense de ‘Realismo Espontâneo’expõe suas obras em Brasília

Exposição “Olhares” acontecerá paralelamente na Câmara Legislativa e no SESC Ceilândia
 
A Capital Federal é o próximo destino de Sidney Cerqueira, artista plástico internacional de Guiné-Bissau nascido em Portugal, o único da lusofonia que pinta o estilo “Realismo Espontâneo”. Sua exposição “Olhares” será lançada em dois lugares simultaneamente: na Câmara Legislativa e no SESC Ceilândia, com abertura no dia 19, às 19h, e no dia 20, às 14h, respectivamente. A exposição é fruto de um olhar crítico do artista sobre o mundo ao redor, seus encantos e desencantos, através de vários pares de “olhos” emoldurados por rostos expressivos.
 
Nesta exposição, assim como em todas que o pintor já realizou, há uma combinação de cores, estilo e responsabilidade social. As telas de Sidney Cerqueira são marcadas por cores vivas e um domínio técnico de desenho e combinação de pincéis e espátulas característicos. Além da beleza, sua arte também chama a atenção para questões sociais, como a violência doméstica, abuso de menores, xenofobia, entre outros.

 
É nesta base que, para Sidney, expôr no Brasil é além de um sonho uma missão. Isso porque, ao longo de sua carreira, tem desenvolvido, simultaneamente às suas atividades artísticas, ações sociais através do projeto “Cores da Esperança” – uma iniciativa itinerante por meio da qual o artista, preocupado com a situação da infância no mundo, monta oficinas de pintura para crianças e expõe coletivamente com elas.
 
As obras de arte dos mais novos são trocadas por materiais didáticos que posteriormente são entregues às instituições de acolhimento de crianças em situação de vulnerabilidade social. “O mesmo projeto já foi implementado em Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Portugal e Senegal e agora é a vez no Brasil”, adianta Sidney Cerqueira, visivelmente motivado para a realização do próximo atelier infantil.
 
Sobre Sidney Cerqueira
 
Quase recém-nascido, o artista foi levado para Guiné Bissau, onde viveu durante a infância e parte da juventude. Mudou-se para Portugal aos 20 anos para concluir o Ensino Médio e vive em Lisboa desde o ano 2000. Iniciou suas atividades como artista plástico em 2004 e desde então vem conquistando o mundo com as suas obras de arte.
 
Apesar de se dedicar às artes plásticas, Sidney tem uma base de formação ligada às letras. Vem de uma família de tradição intelectual tanto do lado materno quanto do lado paterno, apreciadores e fazedores de arte, nomeadamente música, quadrinhos, literatura, cinema, teatro, dança, entre outros.
 
Depois de experimentar várias técnicas, que vão desde o carvão ao óleo sobre tela, Sidney é hoje o único artista plástico da lusofonia que faz 'Realismo Espontâneo', estilo criado pelo conceituado artista plástico Voka. Com apenas onze anos nas artes plásticas, Sidney tem uma sólida e reconhecida carreira dividida entre a Europa e a África Ocidental.
 
O artista já realizou cerca de 40 exposições individuais e coletivas, entre as quais destacam-se "Dak'art 2014" no Senegal, Galeria do Teatro Municipal da Guarda em Portugal, e LuxExpo 2014  em Luxemburgo.
 



 
Serviço
 
Exposição "Olhares", de Sidney Cerqueira
 
Câmara Legislativa do Distrito Federal - De 19 a 29 de Maio
Abertura dia 19 de Maio às 19h
Endereço: Praça Municipal, Quadra 2, Lote 5, Edificio 7 – Foyer do Plenário 
 
Centro de Atividades SESC Ceilândia - De 20 a 30 de Maio
Abertura dia 20 de Maio às 14h
Endereço: QNN 27, Área Especial, Lote B – Hall da entrada principal
 
Mais informações:
 
Vinicius Borba: (61) 8551-1075
Júlio António Aponto Té: (16) 9813 -29047
 

sábado, 14 de março de 2015

Democracia com povo, único caminho

Manifestante da esquerda brasileira. Foto: Vinicius Borba
Por Vinicius Borba, para os #ComunicadoresPeloBrasil

A sexta-feira dia 13 de março de 2015 ficou marcado como um reviver das Diretas, um suspirar da marcha dos 100 mil, um ato de rebeldia contra inimigos ocultos da nação, internos e externos. O ato que envolveu movimentos sociais e sindicais de todo o Brasil, partidos da esquerda brasileira e pessoas comprometidas com a democracia teve grande repercussão, e até alguma isenção nas coberturas da imprensa brasileira, preocupada em reduzir a crise de descrédito e desconfiança que sofrem por sua parcialidade não delcarada, arroubos de desonestidade intelectual associada a políticas partidárias e empresariais de oposição ao atual governo do país.

A quem esteve nas ruas ficou a clara certeza de que não há mais cabimento para golpes ou impeachments meramente políticos, de descontentes com o resultado das urnas. Diferentemente da derrubada orquestrada contra Fernando Collor, Dilma conta com uma base sólida de movimentos e brasileiros de todas as matizes, que se não concordam com tudo que se faça, vide as MP 664 e 665 que deram mote aos atos de sexta, também não topam a derrubada de um projeto democraticamente eleito.

Mas chamou a atenção, no ato em Brasília, onde estive cobrindo, o distanciamento do povo. A Polícia Militar brasiliense, acostumada às manifestações populares naquele recinto, isolou os manifestantes, não permitindo contato mais direto das filas de pessoas que aguardavam ônibus com os manifestantes. Se em parte agiram pela segurança de manifestantes, evitando possíveis ataques de revoltados "out line", ou "off line", como queiram, também demonstraram o certo desconhecimento que aquelas pessoas, trabalhadoras em geral voltando para as periferias,  demonstraram sobre boa parte do que gritavam manifestantes.

"Não vai ter golpe", ou "Olê, olê olá, Dilma, Lula", não são palavras de ordem que expliquem para à população extamante o que existe por trás das máscaras e filtros da grande imprensa. Se a defesa dos direitos trabalhistas era o mote, e ao mesmo tempo a intenção era demonstrar o que realmente pode combater a corrupção, como o fim do financiamento empresarial de campanha, os movimentos devem repensar suas estratégias de comunicação direta, em plenas ruas. Podem acabar por gerar mais revolta e dar armas ao inimigo do que de fato reorientar as revoltas da população, em geral mais despolitizada por um debate raso como o promovido na maior parte das redes sociais e bancadas de âncoras da parcialidade subliminar, não declarada.

Esquerda brasileira em luta na Rodoviária do Plano Piloto
em Brasília. Foto: Vinicius Borba
Demonstração de força foi algo importante. E a força da militância das esquerdas, e novas esquerdas brasileiras, ficou explícita nas ruas, com apoio das maiores centrais sindicais do país, da União nacional dos Estudantes, do Movimento Sem Terra e de forças de comunicação alternativa como os Jornalistas Livres e nós, dos Comunicadores Pelo Brasil. Mas também deu um recado importante à presidenta Dilma: é preciso deixar claro quem está fazendo a pressão que leva Joaquim Levy a lhe empurrar as medidas impopulares que vem por aí, como a derrubada de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, sem sequer taxar as grandes fortunas. A ignorância da população, manifesta nos editoriais e redes sociais, empurrada goela abaixo do povo por programas populares de TV, manipulados pelos interesses do grande mercado, segue batendo firme, impondo a agenda dos derrotados na presidência da república. A pouca força que resta à Dilma vem dessa militância do dia 13. Não ouví-la pode ser um erro crasso. Não retomar essa força aglutinada no segundo turno pode ser o golpe em si mesma, afinal. Até porque, se na presidência Dilma levou, no Congresso os interesses empresariais se solidificaram ainda mais. Fazer a vontade deles sem denunciar seus reais absurdos e intentos contra as classes trabalhadoras e periféricas é tudo de que eles precisam para impor suas vontades. E ainda derrubar o projeto que essa mesma massa das ruas desta sexta ajudou a retomar em 26 de outubro, contra toda a máquina midiática e empresarial armada para a derrubada.

Denunciar os pais do golpe e educar a população para a democracia

Interesses de petroleiras norte-americanas, das empresas nacionais como a Ambev, financiadora de estrategias de comunicação de alguns dos movimentos que vão às ruas no domingo (15), e destas elites, que dizem querer combater a corrupção, mas não topam o fim do financiamento privado de campanha, também não podem ser esquecidos. Dar nome aos bois e mostrar a manipulação que grandes empresas e fortunas que não aceitam pagar mais impostos, enquanto as classes trabalhadoras podem perder direitos pode ser crucial para entendermos quem está por trás dessas "revoltinhas on line". manifestações como a de sexta-feira   precisam ir às ruas para mostrar claramente à população quem são os pais desse processo. Mas é preciso fazer muitas outras estratégias de educação popular para que essa democracia seja compreendida. Os anos de despolitização do debate, oferecidos pela imprensa nacional ao povo, só criminalizaram a política e os partidos, somando pouco aos interesses reais que constróem essa democracia. Cabe a esse s movimentos gritar em defesa dos mandatos conquistados, pelo aprofundamento da democracia, mas achar estratégias que ajudem a de fato comunicar a população no corpo a corpo, sobre o que efetivamente esta´acontecendo. Sem isso manifestações como a de sexta podem ficar fadadas ao insucesso, de uma democracia com povo iludido, determinada apenas nos processos eleitorais, e não no dia a dia da nação!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Porque Kátia Abreu é um perigo para a nação ou: A obstinação tecnicista e a educação bancária no campo

Por Vinicius Borba

A presidenta Dilma defendeu o "Brasil, pátria educadora" em seu discurso de posse no dia primeiro. Observamos com cautela o que isso significa, apesar de convictos da importância de se educar muita gente por aí. Mas alguns "expoentes", para bem ou mal do país, já demonstram a que vem. Recém empossada, e evitando tratar de polêmicas como a existência ou não de latifúndios, a nova ministra da Agricultura e Pecuária, Kátia Abreu determinou suas metas de educar para incluir cerca de 800 mil trabalhadores rurais, no que definiu como classe C. "Vamos de porteira em porteira", afirmou. A dúvida é que tipo de educação rural vai levar a essas porteiras na inclusão dessas pessoas. O ódio à esquerda, ao PT e aos povos tradicionais? OU o ranço ruralista e udenista contra as classes trabalhadoras?

— Vamos de porteira em porteira atrás dessas pessoas buscando e levando uma revolução em tecnologia para que eles possam ascender socialmente e ter uma renda mais elevada — disse Kátia Abreu em sua posse no Ministério.



Estou sinceramente curioso e preocupado para saber qual o objetivo da presidenta Dilma ao buscar esse tipo de "apoio" para a gestão do cargo de ministra da Agricultura. Num setor tão estratégico do país ter habituais adversári@s das causas populares dessa natureza como aliados já não é compreensível, quem dirá com as mãos em todo o recurso para promover a Assistência rural técnica tendo como filosofia de base o capitalismo extremado da revolução verde, a transgenia e o agrotóxico como base. Se for por aí, presidenta Dilma, acho que devemos repensar nossa construção de identidade de Partido dos Trabalhadores. O nome começa a ficar de fato incoerente, quando ao fim e ao cabo do processo, a massa atendida avança de classificação em letras mas não é ouvida, preparada para entender as consequências dos próprios atos e essa formação só prepara para reproduzir os cânceres que o sistema agroindustrial brasileiro hoje propaga. Aliás, para a classe trabalhadora depois não há hospitais Albert Einstein. O SUS avançou muito, mas terá que melhorar muito mais para atender a explosão cancerígena que esse tipo de alimento nos traz à mesa todos os dias.

Incentivar com a liderança de alguém que propugna ódios aos povos tradicionalmente habitantes de nossas terras, estimula ainda mais este tipo de ponto de vista. A premiação do ódio, potencializado por Kátia Abreu com cargos do primeiro escalão não pode ser compreendido como algum tipo de concessão ao setor produtivo, se não como um erro crasso. Essa falha estratégica há de custar ainda mais caro às bases de um projeto antes pensado para construção democrática e popular. O Projeto pensado pelo PT incluiu milhões, sim, mas pela forma acrítica como o fez, criou um contingente de combatentes do próprio regime democrático, como se outra solução qualquer fosse de fato viável sem um novo período de trevas. Ditadura que a senhora, presidenta Dilma, a duríssimas penas combateu, e sofreu as consequências destes outros tempos.

É hora de mudarmos essa postura senhora presidenta, seguir com esse despautério pode custar muito, mas muito mais caro às bases populares que a reelegeram, e por consequência tornar inviável o próprio projeto de nação com a classe trabalhadora sendo preparada para entender e se posicionar nesse processo de inclusão. A bancarização da educação, denunciada por Paulo Freire, deve ser lembrada para que, nesse processo de criação de uma Pátria Educadora, não se forme uma massa ainda maior de oprimidos que sonham tornar-se opressores e destruidores do planeta. Sob pena de fortalecermos um desenvolvimento totalmente insustentável, e alinhar a nação brasileira ao péssimo exemplo de grandes países, que de potências tornaram-se vilões mundiais. O genocídio de nossos índios e quilombolas, espalhar agrotóxicos no Brasil (ainda mais) e distribuir a quimioterapia das próprias indústrias que criam o transgênico e o agrotóxico, não nos parece uma grande "revolução em tecnologia" para nossa agricultura e os trabalhadores e trabalhadoras rurais do Brasil. Mas é um verdadeiro crime contra nossa humanidade, deles que produzem e de nós que consumimos e dependemos de seus produtos. A transição de que falamos não é meramente de classe, mas da produção agrotóxica para a agroecológica. O Brasil pode mais. E muito, mas muito melhor.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Poesias em Preto no Branco: TamoVivo pela cultura

A resistência periférica ganha novos contornos em São Paulo, mais especificamente no Jardim Ibirapuera, onde o Coletivo Tamo Vivo lançou sua coletânea poética, Poesias em Preto no Branco. Fruto da produção do Sarau Preto no Branco, que celebrou dois anos de existência no último dia 20 de dezembro de 2014, eles seguem agitando com o estudo como escudo, o conhecimento que liberta e a poesia que salva vidas. Assista e veja como foi essa celebração especial!



quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Artista reúne ritmos quentes do caribe com levada de jazz em seu primeiro disco

Influenciado pelo ritmo quente do Caribe Venezuelano, misturado com a levada Pop do Jazz, Blues, Rock e do Reggae tocado na Guiana e na Costa Rica, Lucas Soledade traz pra capital do país, sua terra natal, seu novo disco, Alcalina. Após três anos de shows pelo Rio de Janeiro, além de (Uberlândia, Salvador, Boa Vista, Pacaraima, Olhos D'Água e outras cidades), o músico apresenta pré-lançamento no Feitiço Mineiro pelo projeto Laboratório/Show, dia 10, e realiza lançamento do disco completo no Teatro Mapati em 21 de novembro. Em janeiro a obra deve correr mundo com espetáculo também em Roraima, onde tudo começou.

O álbum traz canções que retratam algumas das vivências de Lucas quando de sua passagem por Roraima, onde o jovem ator realizou oficinas teatrais e acabou tomado pela paixão musical do movimento cultural Clã Cabôco do Marabaixo, corrente artística que reúne poetas, letristas e músicos do extremo norte do país. Como fruto de parcerias dessa época e de sua temporada também com espetáculos cênico-musicais no Rio de Janeiro ele fecundou o disco Alcalina, com 11 faixas. A apresentação promete muitas emoções em sua musicalidade envolvente retratando as paixões, vivências amazônicas e boemia do cantor, que gravou o disco em 2013 pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e lança a obra em 2014 sob supervisão técnica e gestão da Villa-Lobos Produções.


Os shows
Para o mês de novembro, Lucas faz pré-lançamento no Laboratório/Show, projeto do músico Eduardo Rangel, no Feitiço Mineiro, dia 10 de novembro, numa versão "pocket" do show. O lançamento ocorre com banda completa e participação especial nas projeções e direção artística de Gerson Deveras no Teatro Mapati na 707 Norte no dia 21. Intervenções cênicas de Lucas, que também atua e dirige, devem permear o espetáculo, já que é no tablado onde iniciou sua carreira que o músico apresenta sua nova performance sonora.

A obra
Com canções como Alcalina, que dá nome à obra, e Mar a Dentro, Soledade retrata algumas de suas vivências ribeirinhas amazônicas e essa busca de equilíbrio por sua musicalidade. “Um organismo alcalino é normalmente equilibrado, harmônico, ao mesmo tempo que energético e forte, como nossas paixões e humanidade precisam e tento expressar em minha música”, relata o cantor. Na canção Fofoca de Luiz, o artista conta a história de um personagem real, amigo de tantas noites na capital Boa Vista, quando no retorno de uma noite de cantoria e curtição pescando no Rio Branco, vivenciando as graças que só a vida ribeirinha pode demonstrar a quem dela desfruta.


Serviço
Shows Lucas Soledade – Alcalina

Pré-Lançamento
Lucas Soledade no Laboratório/Show - Feitiço Mineiro (306N)
Segunda-feira – 10/Nov - Ingresso promocional R$10 - Reservas: 61 3272-3032

Lançamento do disco
Lucas Soledade Alcalina no Teatro Mapati (707 Norte, Bloco K)
Sexta-feira – 21/Nov – Ingresso R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia)
Ingressos no local ou pelo telefone (61) 9200 0101  

Classificação indicativa: 12 anos